Sábado, 11 de Outubro de 2014

Pelos 125 anos da Associação Flaviense de Bombeiros Voluntários

3.ª Parte

 

É considerada Instituição de Utilidade Pública por decreto de 27 de Janeiro de 1928. É por esta altura, 1928/29, que se dão grandes mudanças na corporação, por imperativo do momento político que então se vivia, implantação do Estado Novo, com a aprovação de novos estatutos e regulamento, sob o comando de António Pinto Saldanha.

  

  

A 14 de janeiro de 1930, a direção envia um ofício à câmara pedindo licença para a construção de um quartel, no Largo General Silveira (Jardim das Freiras). As obras tiveram início em 1930 e o seu término a 1931, sendo seu comandante Álvaro Ramos Padrão.

 

 

Durante o ano de 1931, esta corporação foi agraciada com duas condecorações: uma atribuída pelo Ministério do Interior “pelos relevantes serviços prestados em 42 anos de existência”; outra pelo presidente da República com a “Ordem Militar da Cruz de Christo”.

 

 

Também, pela câmara municipal, na pessoa do seu presidente, Engenheiro Branco Teixeira, aquando do seu centenário (1989), foi agraciada com a Medalha de Ouro do Concelho “pelos muitos e relevantes serviços prestados à comunidade flaviense”.

 

 

Em 1939, são comemoradas as bodas de ouro.

O poeta Artur Maria Afonso, pai de Nadir Afonso, escreve um soneto assinalando a efeméride:

 

Aos Bombeiros
(na festa do seu 50.º aniversário)
 
Passam na rua e sua fêsta agóra,
Em cortêjo de dúlcia beleza!...
Do sól, a rósa, tá bem alto acêsa,
Mais não encanta pelos longes fóra!
 
N'este dia solene, n'esta hóra,
Meu coração enternecido réza
Perante os sentimentos de grandêza
Que tem sua missão consoladôra!
 
Bandeiras desfraldádas, cintilantes,
Corações altruístas satisfeitos
Vão espalhando emoções vibrantes...
 
De livre arbítrio socorrendo irmãos
Na obra meritória de seus feitos,
Têmos sómente que beijar-lhe as mãos!

 

A 25 de novembro de 1944 é tornado público o hino desta associação, escrito e pautado pelo 1º cabo do Batalhão de Caçadores 10, António de Assis.

 

 

Nos anos 50, regressaram as crises, por motivo de promoções, sendo solucionadas, superiormente, pela Inspeção do Norte. Nesta ocasião a corporação tinha no seu ativo 50 bombeiros.

 

 

Quanto a instalações/quartéis a corporação teve:

1ª - Na Câmara Municipal, em condições muito precárias;

2º - Na rua 1º Duque de Bragança (hoje Cândido dos Reis/Olival), às Amoreiras (inaugurada a 11 de maio de 1899, num barracão)

 

  

3º - Nas instalações da Escola Conde Ferreira, à Lapa, tendo sido inaugurada, após obras de adaptação, a 3de fevereiro de 1909,

 

 

4º - No Largo General Silveira (inaugurado em 1930/31), um quartel novo

 

 

5º - No Campo da Fonte, inaugurado no ano de 2001, propriedade da Associação.

 

A título de curiosidade, publicamos a reprodução do Livro de Ordens, datado de 1889

 

 

 

 

Fica a promessa de um regresso a este tema se novos dados relevantes aparecerem relativos às décadas de 50 e 60.

publicado por AAC às 14:49
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Pelos 125 anos da Associação Flaviense de Bombeiros Voluntários

2.ª parte

 

Os primeiros estatutos, aprovados em 1890, foram revogados em 1906 e, são-no, novamente, em 1928. 

  

 

 

O primeiro regulamento data de 1898, sendo revogado em 1928. Também se lia, no seu art. 3ª, que esta associação foi “fundada sob a directa protecção da Câmara Municipal”, ficando “subordinada” à sua fiscalização por intermédio de inspeções.

 

 

Esta corporação tinha uma banda de música criada no ano de 1894. Em 1900, o comandante Aníbal Barros informa que a banda musical deverá ser dissolvida porque “é constituir ella um pesado encargo com que a corporação não póde.”

 

 Banda musical em frente da Escola Conde Ferreira, à Lapa

 

Sabe-se que nas comemorações do 7º aniversário (1896), foi inaugurada uma “parada-escola”, um “coreto para a banda” e um anexo à existente casa-escola e ”um gymnasio para instrução do pessoal”, factos noticiados na imprensa da época.

 

 Casa-esqueleto no antigo picadeiro, à Avenida

 

Nessa época, a corporação tinha uma classe de ginástica, tendo-se realizado um “sarau gymmnastico”, no seu teatro/barracão, à Avenida (Picadeiro), para angariar “fundos para o cofre”. O sucesso foi tanto que se repetiu. Ali foi construído a 1ª casa-esqueleto para exercícios.

 

 Uma das estações de bombeiros, localização desconhecida

 

A 9 de abril de 1908, a câmara cede aos bombeiros a devoluta Escola Conde Ferreira, por um prazo de 50 anos, a troco dos terrenos do fosso da Madalena (local pretendido pela corporação para a construção do seu quartel, pago por Cândido Sotto Mayor), sob algumas condições. Ali construíram uma casa-esqueleto para exercícios e um salão de espetáculos.

 

 

 Corpo de bombeiros em frente da Escola Conde Ferreira, na Lapa

  

A 7 de dezembro de 1911, inicia-se um diferendo entre a câmara e a corporação por causa, no dizer da câmara, do “uso abusivo da Escola Conde Ferreira”.

A 20 de fevereiro de 1924, a câmara querendo instalar uma escola infantil no edifício da Escola Conde Ferreira que é “sede e escola técnica e prática” da corporação, pede para que a corporação arranje outro local para as suas instalações. 

 

  Casa-esqueleto na antiga Escola Conde Ferreira, à Lapa

 

A direção defende-se comunicando os vários locais por onde passou, argumentando que “sede oficial para reuniões, instrução e diversão” os seguintes locais: fosso do Picadeiro, rua 1º Duque de Bragança, Rua dos Ferradores (rua 25 de Abril) e Escola Conde Ferreira e que não sairiam porque tinham compromissos com a câmara por 50 anos. 

 

 Corpo de bombeiros, em frente de uma das estações, localização desconhecida

 

A câmara “propõe intentar uma acção judicial” e, datado de 23 de maio de 1929, sai um despacho do então Ministério do Interior e Instrução Publica dizendo “presentemente na posse indevida da Associação dos Bombeiros Voluntários”, terá que ser devolvida ao seu legítimo dono, a câmara.

  

Bombeiros em exercícios na estação do Arrabalde (fotogramas extraídos de filme de 1925)

 

publicado por AAC às 16:24
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Pelos 125 anos da Associação Flaviense de Bombeiros Voluntários

 

1.ª Parte

 

No ano em que se comemora o 125º aniversário da sua fundação, impõe-se inscrever neste blogue um pouco da história desta Associação Flaviense de Bombeiros Voluntários.

Será a primeira de três publicações dedicadas a tão prestigiada instituição flaviense.

 


A necessidade duma corporação de bombeiros surgiu quando, na Travessa do Olival, em dezembro de 1873, deflagrou um incêndio de grandes dimensões.

 

 

No dia 5 de setembro de 1888, uma comissão de cidadãos flavienses, constituída por João Padrão, Bernardino Magalhães, Aníbal Barros, João Bravo, Francisco Martins, Carlos Oliveira e Ribeiro de Carvalho, apresentou uma petição, na Câmara Municipal, no sentido de se “organizar uma Companhia ou Associação de Bombeiros Voluntários”. 

 

 

 

Embora os estatutos, aprovados a 15 de março de 1890, mencionem apenas o ano de 1889, é certo que o dia 3 de fevereiro foi o dia da fundação desta corporação.


Com os estatutos aprovados, o 2.º sargento João Batista de Medeiros entrega à corporação um estandarte da sua autoria, benzido na Igreja Matriz em 3 de Fevereiro de 1891.

 

 

 

Júlio Montalvão Machado refere que, primeiramente, “houve secções (ou estações/esquadras) distribuídas pela vila”. Segundo escritos e fotografias da época, chegámos à conclusão que existiram cinco:

1ª Secção – Câmara Municipal (sede)

2ª Secção – Arrabalde/Rua do Tabolado

3ª Secção – Fosso do Picadeiro (à Avenida)

 

 

 

4ª Secção – Madalena (ao lado do edifício onde funcionou a Guarda Fiscal até 1967)

 

 

 

5ª Secção – Santo Amaro

 

A partir de finais de 1908, lia-se num jornal, existir uma estação central na rua do Tabolado que “vae ser supprimida, voltando a ser installada na Arcaria da praça-mercado uma estação de socorro”, passando a existir “uma estação de incêndios no populoso bairro da Magdalena”. 

 

 

 

Com esta localização mais provável das referidas estações/esquadras, podia, deste modo, ser mais eficaz o acudir com mais prontidão a qualquer eventualidade.

publicado por AAC às 08:27
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Terça-feira, 11 de Março de 2014

Alberto Alves

 

Alberto Alves, flaviense de gema, por ironia do destino foi nascer a Salvador de Louredo, Póvoa de Lanhoso, a 11 de Março 1892, faz hoje 122 anos.

Fotógrafo precoce, com apenas 10 anos de idade resolveu construir a sua primeira máquina fotográfica.

 

 

Desde a infância, pois, revelou uma aptidão invulgar para a fotografia, que cedo transformou em mestria, facto que chamou a atenção de Nicolau Mesquita, dono da antiga Tipografia Mesquita, que o convidou a realizar as primeiras coleções de postais ilustrados da cidade de Chaves, na primeira década do século passado. Foi o seu primeiro trabalho bem remunerado, atividade que manteve ao longo de toda a sua vida profissional de fotógrafo.

 

 

 

Paralelamente começou a exercer a atividade de fotógrafo na casa da família Padrão, usando o pátio exterior como estúdio, local onde realizou alguns dos seus mais belos documentos como retratista.

 

 

A partir de 1918, fundou em sede própria, no n.º 155 da Rua Direita, a casa que é conhecida até aos nossos dias como “Foto Alves”, que dirigiu até 1962.

 

 

Nos anos 20, expandiu a sua ação à estância termal de Vidago, onde abriu uma sucursal da casa mãe. Em 1937, no número 55 da Rua de Santo António, inaugurou uma nova filial, no local onde haviam funcionado a Foto Fernandes e a Foto Beleza.

 

 

Alberto Alves foi sempre um autodidata extraordinário, muito intuitivo e um investigador incansável. A sua curiosidade levou-o a corresponder-se com Louis Lumière, e foi amigo e íntimo de prestigiados fotógrafos da sua época. Ganhou vários prémios nos salões de fotografia nacionais a que concorreu (medalhas de ouro, prata e menções honrosas).

 

 

Foi ainda importador e representante das principais marcas internacionais (Lumière, Carl Zeiss, Kodak, Zeiss Ikon, Goerz, Agfa, etc).

Algumas das suas fotografias foram publicadas na "História de Portugal" de Damião Peres, editada pela Portucalense Editora, em Barcelos, em 1928.

 

 

Produtor e editor de postais ilustrados, fotógrafo de estúdio e reportagem, correspondente da empresa "Jornal O Século", ao longo dos anos foi registando todos os acontecimentos relevantes da região flaviense.

 

 

Está representado no Museu da Presidência da República, como fotógrafo dos presidentes Marechal Carmona e Marechal Costa Gomes.

 

 

Deixou-nos um olhar único sobre Chaves, num trabalho sério e apaixonado. Tudo que ele fotografava tinha grandeza e elegância, mesmo os seus mais humildes retratos populares.

 

 

Pai de quatro filhas e viúvo muito cedo de Carminda da Costa Freitas, Alberto Alves faleceu na cidade de Chaves em Janeiro de 1969, após prolongada doença.

 

 

A obra de Alberto Alves é para os flavienses um tesouro artístico e documental de valor inestimável.

 

publicado por AAC às 23:43
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Domingo, 9 de Fevereiro de 2014

O livro “Azulejos da Egreja do Hospital da Misericórdia de Chaves”

 Figura 1 - Igreja e Hospital da Misericórdia de Chaves, cerca de 1925 (Fotografia de Alberto Alves)

Bilhete postal editado pela "Sociedade de Defeza e Propaganda de Chaves"

 

O AUTOR (1)

António José Cerimónias nasceu em Chaves, a 30 de setembro de 1871, vindo a falecer a 25 de novembro, corria o ano de 1948.

Frequentou o curso de Preparatórios e o curso Teológico, no Seminário Conciliar de Braga, sendo ordenado sacerdote em 1896, a 26 de julho.

Exerceu as funções de capelão do Hospital da Misericórdia de Chaves, sendo ainda professor e explicador do ensino livre.

Foi vereador da Câmara Municipal de Chaves, na primeira comissão administrativa do período republicano, com o pelouro da Instrução Pública, entre outubro de 1910 e janeiro de 1911. Nessa qualidade, propôs a colocação do pelourinho em frente do edifício da câmara municipal, proposta essa aceite pela restante vereação.

 

 

 

Figura 2 - Museu da Região Flaviense, no antigo Convento das Freiras, atual Escola Secundária Fernão de Magalhães, cerca de 1930

(Fotografias de Alberto Alves, arquivo da Foto Alves)

  

Interessou-se, grandemente, pelo enriquecimento do espólio do Museu Regional e Biblioteca Erudita”, tendo feito parte da sua Comissão Instaladora, em 1929.

Envolveu-se em polêmica quando se recusou servir de escrivão num processo instaurado contra o cidadão Domingos Gomes de Morais Sarmento, no seguimento das incursões monárquicas de 1912.

A Câmara de Chaves consagrou o seu nome numa rua urbana. http://goo.gl/maps/WCXQk

Sob o pseudónimo de António da Veiga, colaborou assiduamente nos jornais locais.

 

A IGREJA

A igreja da Santa Casa da Misericórdia, de traço tipicamente barroco, situa-se no Largo Caetano Ferreira. Iniciou-se a sua construção no ano de 1532 (2) e teve seu término em 1601, segundo inscrição gravada numa coluna.

Até ao arranjo efectuado em 1921 pela C.M. Chaves, que deu origem à escadaria actual, existia defronte do templo um adro que serviu de cemitério até 1839.(3)

 

Figura 3 - Igreja da Misericórdia, cerca de 1910

(Fotografia de Alberto Alves,arquivo da Foto Alves)

  

 

Figura 4 - Igreja da Misericórdia, cerca de 1910

(Fotografia de Alberto Alves, bilhete postal editado pela Tipografia Mesquita)

 

 

No seu interior, possui as paredes revestidas em azulejaria do século XVIII, com temática bíblica, atribuídos a Oliveira Bernardes. No teto, de madeira, está pintada a cena da visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel, obra da autoria de Jerónimo da Rocha Braga, datada de 1743.

  

 

Figura 5 - Igreja da Misericórdia, vista interior

 

O altar é profusamente decorado em talha dourada, com anjos, cachos e volutas.

Na fachada podem visualizar-se oito colunas salomónicas (colunas torneadas em espiral), quatro no rés-do-chão, ladeando três arcos de volta inteira, e outras quatro no primeiro andar, emoldurando três varandas. No alto, ao centro, a imagem esculpida da Senhora da Misericórdia ou Senhora do Manto (Mater Omnium), abrigando "os desprotegidos da sorte" ou ”os desventurados de todas as classes sociais".

 

 

  

Figura 6 - Pormenor da fachada, Senhora da Misericórdia ou Senhora do Manto

 

O FOTÓGRAFO

Alberto Alves, flaviense de gema, por ironia do destino foi nascer a Louredo, Póvoa de Lanhoso, a 11 de Março 1892.

 

 

Fotógrafo precoce, com apenas 10 anos de idade resolveu construir a sua primeira câmara fotográfica. Desde a infância, pois, revelou uma aptidão invulgar para a fotografia, que cedo transformou em mestria, facto que chamou a atenção de Nicolau Mesquita, dono da antiga Tipografia Mesquita, que o convidou a realizar as primeiras coleções de postais ilustrados da cidade de Chaves, na primeira década do século passado. Foi o seu primeiro trabalho bem remunerado, atividade que manteve ao longo de toda a sua vida profissional de fotógrafo.

Paralelamente começou a exercer a atividade de fotógrafo profissional na casa da família Padrão, usando o pátio exterior como estúdio, local onde realizou alguns dos seus mais belos documentos como retratista.

A partir de 1918 fundou em sede própria no nº 155 da Rua Direita a casa que é conhecida até aos nossos dias como “Foto Alves”, que dirigiu até 1962.

Alberto Alves foi sempre um autodidata extraordinário, muito intuitivo e um investigador incansável.Deixou-nos um olhar único sobre Chaves, num trabalho sério e apaixonado. Tudo que ele fotografava tinha grandeza e elegância, mesmo os seus mais humildes retratos populares. A sua obra é para os flavienses um tesouro artístico e documental de valor inestimável.

Pai de quatro filhas e viúvo muito cedo, Alberto Alves faleceu na cidade de Chaves em Janeiro de 1969, após prolongada doença.

 

O LIVRO

O livro foi editado, corria o ano de 1928, pela Mesa da Santa Casa da Misericórdia com o intuito do produto da sua venda reverter a favor da Santa Casa. O seu preço foi de 10$00, encontrando-se à venda nas lojas dos senhores Amaral, A. Lopes, Teixeira de Melo, Raul Silva e Raul Leite. Também sabemos que foram enviados 1000 exemplares para a Exposição Ibero-Americana de Sevilha, de 1929. Por alturas da sua publicação, foi notícia no Jornal do Comercio e Colonias.(4)

Vamos entrar...

 

 

 

 

 

 

 

Referências bibliográficas: 

 

(1) “Dicionário dos Mais Ilustres Transmontanos e Alto Durienses”, Barroso da Fonte, 2001

 

(2) “História Moderna e Contemporânea  da Vila de Chaves”, Júlio Montalvão Machado, 2012

 

(3) Igreja da Misericórdia de Chaves”, Isabel Viçoso, 2000

 

(4) “Era Nova”, Francisco de Barros, 08/07/1928

 

publicado por AAC às 22:52
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Domingo, 27 de Outubro de 2013

A Feira dos Santos

Recuemos no tempo. Os Celtas, ”os Santos não são mais do que a cristianização da festividade celta samhain, que decorria na noite de 31 de outubro para 1 de novembro (início do nova ano celta).1

Mais tarde, a igreja cristã, na pessoa do Papa Gregório IV, em 835, uniformiza a data de 1 de novembro para a celebração do Dia de Todos-os-Santos.2

Nas suas origens podem estar, também, as feiras francas instituídas à vila de Chaves, por D. Dinis (1289), por D. João I (1410) e por D. Manuel I (1509).


Mais recentemente, foi difícil conciliar a Feira com o Dia dos Fiéis Defuntos, a polémica instalou-se…


É difícil sabermos quando foi a 1.ª Feira Anual dos Santos; o primeiro sinal é dado numa ata camarária, datada de 1860, onde consta a escolha dos lugares para os feirantes; em 1884, instala-se na rua do Olival, regressando ao Arrabalde e ao Olival, em 1896. A feira do gado situava-se no largo do Tabolado.

 


Em 1904, faz-se coincidir a Feira com a inauguração da luz elétrica.

 

A partir de 1905, a câmara deliberou “doravante se permite a exposição e venda de gado e géneros”, nos seguintes locais:

 

1 – Largo de S. Roque: gado suíno

 

 

2 – Largo do Tabolado: gado bovino, cavalar, muar, ...

 

 

3 – Largo Rui e Garcia Lopes (Arrabalde): ferros, louças, ...

 

 

4 – Antigo Mercado (rua do Olival): géneros alimentícios

 

5 – Largo 8 de Julho (Anjo): lãs e queijos

 

Inicialmente organizada pela Câmara Municipal, em 1917 passou para a alçada da Associação Comercial (sita no palacete do Botelho, na Rua de Santo António), volta para a alçada da Câmara e, a partir de 1993, passa a ser a ACISAT a organizar, sempre com o apoio da Câmara.

 

 

 

Apenas algumas notas curiosas, entre outras, sendo de registar que a edilidade, em 1938, decide-se pelo Largo das Freiras e ordena que as barracas sejam de madeira e “de tipo único e os taipais todos da mesma altura”2


"Como já por ali fervilham as roletas e os batoteiros…” (in “O Intransigente”, 1886), “Está muito animada …lindos fantoches e também muitas roletas…para quem gostar.” (in “O Povo de Chaves”, 1890),, “ali mesmo, no Arrabalde, havia roletas com os castelinhos de coroas, a chamariz dos infelizes. A jogatina foi desenfreada. A batota foi franca, foi como nunca se viu em Chaves” (in “A Voz de Chaves” 1904), “haverá exibição dos interessantes espectáculos cinematographicos, com música nos intervalos.” (in “O Intransigente” 1904) e “Do Porto viera aviso …20 carteiristas, (…). Alguns foram presos por suspeitas, sendo um deles, ao que se dizia, o chefe da quadrilha” (in “Região de Chaves”, 06/11/1924) 3

 

 

Quem não se lembra dos prémios das montras, dos espetáculos cinematográficos, dos comboios especiais, dos barraquistas Francisco Morais e Albano dos Santos, da “cabra 5 patas”, dos robertos (“i eu torno a escoitar!!!!!”), do pucarinho, de fazer “direta” (o Sport, o Geraldes, o Jorge e o Central não fechavam as suas portas), de roubar um pretinho com a pila vermelha, do Romualdo (dos matraquilhos), do ratinho da sorte, do Sr. Faro (Sai sempre!), das espanholas, dos bailes,…

 

A Feira dos Santos, com os tempos, cresceu …foi-se espalhando pela cidade, tentáculos dum polvo. Foi-se adaptando aos tempos… fervilhando de pessoas… internacionalizando-se (os habituais espanhóis e ciganos, mais os africanos, sul americanos e orientais).

 

 

 

 

 

 

Realmente já não é o que era… Outros tempos! Felizmente.

 

 

1 “Por Aquas Flavias”, Manuel Carvalho Martins

2 “A Feira-Festa Anual dos Santos em Chaves”, Manuel António Pereira

3 Jornais de Chaves

publicado por AAC às 22:49
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Sábado, 10 de Agosto de 2013

A Aula de Anatomia de Chaves (2.ª Parte)

Planta do Hospital Militar

Depois da criação da Aula de Anatomia e Cirurgia, era necessária a escolha do local para a sua instalação. O ministro Luís Coutinho escreve, ao Governador das Armas da Província de Trás-os-Montes, general Manuel Sepúlveda (a), a 8 de abril de 1789, uma carta informando que a rainha Mariana Vitória, viúva de D. José, “manda fazer na Casa da Guarda da Magdalena, não só os concertos e reparações necessários, … mas tudo o mais que se fizer indispensável …estabelecendo-se nela a Aula de Cirurgia e Anathomia …”. 

 


Começaram os “outros” problemas para o cirurgião-mor Manuel José Leitão. Problemas esses surgidos da animosidade com o administrador do hospital, frei José da Natividade, inglês de nascimento. Problemas que, segundo Carlos Vieira Reis, não passavam de “lutas entre médicos e finanças”. 

 


Ultrapassadas estas questões, Manuel Leitão envia ao ministro da tutela, uma extensa lista de material imprescindível para “operações, sondagens e partos”. É de realçar, pela curiosidade, que do pedido se destacava:

– parturiente artificial

– boneco de pau

 

Parturiente Artificial


Pelos estatutos, todos os regimentos da Província eram obrigados a enviar para a Aula, dois elementos, ajudantes de cirurgia, sendo-lhes exigido “saber ler, escreve e contar e saber latim e francês”, o que limitava muito os potenciais candidatos.

Voltando a socorrer-nos de Vieira Reis, este afirma que o cirurgião-mor tinha nos seus planos o aproveitamento da água termal, canalizando-a desde a nascente até ao Hospital, para banhos.

 

O Hospital Militar e a Capela Real


Só com a saída do administrador do Hospital é que Manuel J. Leitão pôde, finalmente, pôr a funcionar a “sua” aula, “formando uma série de jovens que não ficando sábios”, exerceram com mestria e eficiência o seu trabalho, melhorando assim as práticas nos respetivos regimentos.

Morre Manuel J. Leitão, em 1797, sendo substituído, interinamente, por um seu aluno, Manuel José Sampaio. Em 23 de Março de 1802, por decreto real, é nomeado cirurgião-mor frei António de S. Frutuoso.

 

Movimento de doentes do Hospital Militar no ano de 1812


Não podemos deixar de relembrar dois alunos desta escola, nascidos em Chaves: Joaquim da Rocha Mazarém (cirurgião assistente de D João VI) e José Caetano Paz (completou estudos em Londres “obtendo depois acentuada notoriedade”).


Vários foram os motivos que levaram ao encerramento desta Aula, sendo o maior a penúria em que Portugal se encontrava, motivada pelas invasões de Espanha, em 1801, e as de França, em 1807, 1809 e 1810.

Com este clima de guerra constante, os alunos, não gozando de qualquer privilégio que os libertasse da guerra, foram abandonando a Aula.

A Aula de Anatomia e Cirurgia de Chaves extinguiu-se, corria o ano de 1814.


Lista dos médicos e cirurgiões que serviram nos hospitais militares, em 1814


(a) – Este general, em 1808, comandou a revolta trasmontana contra Junot, alargando-se a todo o país.

 

 Bibliografia:

http://darcordaoneuronio.blogspot.pt/- Carlos Manuel Vieira Reis - 2006

"Uma Nova Dissecação na Aula de Anatomia e Cirurgia de Chaves" - Carlos Manuel Vieira Reis Revista Aquae Flaviae, n.º 5 - Junho de 1991 - Pg. 104

"Quando havia em Chaves três hospitais" - J. Timóteo Montalvão Machado - Revista Aquae Flaviae, n.º 4 - Dezembro de 1990 - Pg. 105.

"As Aulas de Anatomia e Cirurgia dos Hospitais Militares" - Manuel Gião - 1945


publicado por AAC às 15:23
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Domingo, 28 de Julho de 2013

1972, demolição das últimas casas adossadas ao Forte de S. Francisco.

 

O Forte de S. Francisco, um belo exemplar arquitectónico do século XVII, esteve muito degradado, e no início da década de 1960 começaram as primeiras demolições das casas adossadas ao baluarte sudoeste e os primeiros trabalhos de restauro do baluarte sudeste junto à já desaparecida Quinta dos Machados, hoje Rua da Pedisqueira, no entanto, talvez por falta de apoio financeiro, as mesmas pararam. Uma década depois, em início de 1970's, nova fase das obras, demolição das últimas casas adossadas ao forte e restauro do baluarte sudoeste, mas só na década  de 1990 é que finalmente terminaram as obras de restauro, inclusive no seu interior, onde se encontra a Igreja de Nª Srª do Rosário.

publicado por hpserra às 11:28
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Segunda-feira, 8 de Julho de 2013

O 8 de Julho de 1912

Após a implantação da República, em 5 de outubro de 1910, os que não aceitavam essa mudança de regime começaram a organizar-se de maneira a constituírem uma força que, por qualquer meio, incluindo a revolta, pudesse instaurar o antigo regime e, nesse sentido, foram tomadas algumas iniciativas que consistiram na entrada no nosso país de forças monárquicas, conhecidas como "incursões monárquicas".

 

 

A 1ª incursão monárquica ou realista inicia-se com a tentativa de tomar Bragança, em Outubro de 1911. Não tendo sido possível, os couceiristas atacam e tomam Vinhais, hasteando a bandeira azul e branca. Chegados reforços republicanos, rapidamente entram em debandada “Entre Vinhais e Salgueiros desertaram 400 homens, exaustos, esfomeados e com sono”1. No dizer da Condessa de Mangualde, as forças realistas eram “uma mistura estranha de velhos soldados … de padres (210 segundo Vasco P Valente) e de voluntários de “boas famílias” …” e “as forças de Couceiro eram um bando improvisado, sem coesão e solidez2, não sendo mais do que 1034 efectivos.

 

 

A última diligência de cavalaria, saindo de Vinhaes em direcção a Chaves, vendo-se no primeiro plano o civil sr. Jacinto Nogueira Ferrão,

que tem sempre acompanhado as tropas republicanas (cliché do sr. Anselmo Dias)

 

Na 2ª incursão, levada a cabo no dia 8 de Julho, os realistas entram por Sendim (tenente Sepúlveda) e por Vila Verde da Raia (Sousa Dias). No início das hostilidades, o governo espanhol apoiou Paiva Couceiro, mas, depois de pressionado, deu ordem de expulsão aos monárquicos.

 

 

Os realistas tinham informação de muito apoio em Chaves. “Os conspiradores de fora contavam com traição dos de dentro (…). Os conspiradores de fora acreditavam ter em Chaves força sua de bastante valor (…)” (A Região Flaviense, 1923).

 

 

Na madrugada de sábado, dia 6, um grupo de civis tentou tomar o quartel de Cavalaria 6 tendo sido impedidos, foram presos 4 indivíduos civis (Jornal de Notícias, de dia 9). 

 

 

Os militares em Chaves são comandados pelos tenentes-coronéis Ribeiro de Carvalho e Custódio de Oliveira e os civis organizados pelo Dr. António Granjo.

 

 

Para memória futura e tendo em vista a heroicidade das gentes de Chaves na defesa ao ataque da República, a nível do toponímico existe em Lisboa a Avenida Defensores de Chaves, na Nazaré, Rua Heróis de Chaves e, no Porto, existiu a Rua Heróis de Chaves, (hoje Rua de D. João IV), tendo sido eliminada depois do 28 de maio.

 

 

Em Chaves foi dado o nome de 8 de Julho ao Largo do Anjo e o feriado municipal passou de 31 de Outubro para dia 8 de Julho.3

 

 

 

Tornamos pública uma carta inédita que nos foi gentilmente cedida. O seu teor é escrito na 1.ª pessoa (correspondência entre irmãos), logo de quem viveu este acontecimento in loco (“ …fizeram muitos tiros de peça sobre a villa, que vi cahir, algumas por cima da minha casa (Rua Direita)”.

 

António

Chaves

8-7-912

Os conspiradores entraram hontem, dando-se um pequeno combate em Villa-Verde, via Santa Marta, ficando ferido, mas sem gravidade um capitão do estado-maior  Mário Magalhães. Hoje houve grande combate entre Chaves e Forte de São Neutel.

Aí 9 horas correu noticia de que os conspiradores estavam perto de Chaves. Efectivamente era verdade. Em face disto prepararam todas as forças que puderam (que era apenas cento e tantos soldados, porque o grosso das forças tinham partido para Montalegre) e foram ao encontro deles. A esta pequena força juntaram-se alguns policias, guardas fiscais, cavallaria e paisanos. A artilharia e metralhadoras também tinham partido para Montalegre. Pouco depois das nove horas começou o fogo,que durou até às 2 horas da tarde, hora a que chegou a artilharia de Montalegre.

Por parte dos conspiradores fizeram muitos tiros de peça sobre a villa, que eu vi cahir algumas por cima da minha casa.

Tres tiros de peça bateram na casa de José Mesquita, cortando-lhe completamente 2 tranqueiras das janelas, 2 tiros de peça  atravessaram o edifício do liceu de lado a lado.E vários outros tiros que danificaram bastante alguns prédios.

Os conspiradores chegaram ao pé do cemitério. Por ultimo retiraram, deixando vários mortos e feridos, uma peça e munições.

Das forças republicanas apenas morreram um cabo, filho do coronel Sousa Dias e um soldado, e ficaram feridos o capitão Tito Barreiros, o tenente Macedo, o filho do general Carvalhal e um alferes de cavalaria, este gravemente.  Nesta hora consta que os conspiradores já vao para Villela Seca, batendo em retirada.

Teu mano muito amigo

Abílio

 

PS No hospital militar já estao uns sete conspiradores mortos.

No hospital civil estão 2 conspiradores gravemente feridos sendo um filho do visconde da Ponte da Barca e o outro Firmino Cunha do Porto.

 

Nós bem, assim como toda a nossa família. Hoje passámos um dia com muito receio, mas agora já estamos tranquilos.

Já cá estão muitas forças.

Teu

Abílio

 

Estes acontecimentos tiveram grande repercussão nacional graças às reportagens apresentadas na “Ilustração Portuguesa” (Jornal O Século), assunto que ocupou várias das suas edições entre Outubro de 1911 e Agosto de 1912.

Inserimos aqui uma pequena apresentação com algumas das pranchas publicadas:

 

 

Muitas das fotografias publicadas na “Ilustração Portuguesa” são da autoria de Joshua Benoliel, que se deslocou ao norte para fazer várias reportagens. Do seu arquivo retirámos estas imagens:

 

Nos arquivos da Cinemateca Nacional existem dois documentos, em formato de filme, sobre estes acontecimentos.

 

Incursões Monárquicas de 1911:

 

Chaves, Incursões Monárquicas de 1912:

  

1 Aires, Ribeiro, “A República no Distrito de Vila Real”, pág 166

2 Condessa de Mangualde, “Narrativas”

3 Aires, Firmino, “Incursões Autárquicas”, pág 163 e 165

 

publicado por AAC às 16:38
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Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

O "Guia-álbum de Chaves e seu concelho"

Ao observar este belo postal antigo (1) há um aspecto que salta à vista, a ausência do pelourinho…!

A indagação sobre o seu paradeiro levou-nos às primeiras décadas do século passado, aos tempos da 1ª República, quando foi transportado de um quintal na Madalena para o Largo de Camões e montado em frente da Câmara Municipal.

Fotografias originais desse tempo não existem, apenas se conhecem quatro  imagens que retratam a localização do pelourinho nesta época. Uma delas foi editada em postal ilustrado (2):

 

 

 

 

As outras desconhecemos se chegaram a ser editadas, duas delas encontram-se na obra que apresentamos a seguir:

 

" FACTOS E NOTÍCIAS (3)

Guia de Chaves

Com o louvável intuito de concorrer para os fundos da Liga Flaviense de Instrução e Beneficência e de chamar a atenção dos turistes para as belezas e recursos de Chaves e seus arredores, publicou o sr. Manuel Rodrigues um curioso e elegante guia, que, além da importante dose de informações, se torna recomendável pelo grande numero de dados históricos que fornece ao visitante desta região. Para nós, o simples facto do nosso bom amigo pôr de parte o seu interesse pessoal e dedicar o seu trabalho à obra da Liga, leva-nos a aplaudir sem restrições a sua ideia, se bem que nos pôe em situação de não podermos analisar insuspeitamente o seu livro. O Flaviense acha-se de tal forma integrado e empenhado no futuro dessa nobre instituição, que tudo quanto para bem dela

se fizer merece o seu imediato aplauso. Quer-nos porém parecer que, sendo, como diz o seu autor, sem pretensões literárias e susceptível de futuras edições que o aumentem e tornem mais copioso em informações sobre as industrias locais, (sobretudo no que trata de esboços de industria existentes nas aldeias das vizinhanças de Chaves e que encerram um carácter puramente nosso), sobre a arte quasi primitiva da região, sobre as ruinas existentes que evocam os tempos da época romana, etc., o livro é digno de ser acolhido como uma bela tentativa. Trabalhos desta natureza são difíceis de organizar. O que tem propriamente valor é a iniciativa de quem pela primeira vez os lança a público. O guia álbum é um livro que servirá de baze a uma futura obra em que surjam todas as belezas, riquezas, tradições e usos desta boa terra, até agora quasi ignorada. Felicitamos o sr. Rodrigues pela sua iniciativa de homem de bem e de verdadeiro flaviense, que acima de tudo põe o culto da sua terra." 

 

É este livrinho que hoje vos apresentamos, volvidos que são 97 anos sobre a data da sua publicação. Profusamente ilustrado com imagens, através das suas páginas somos levados numa viagem ao tempo da Chaves de princípios do século passado, constituindo uma monografia de elevado valor informativo sobre aquela época.

 

 

 

 

Sobre o autor:

Manuel António Rodrigues foi um denodado republicano, teve um papel activo no 31 de Janeiro de 1891 (revolta republicana do Porto), integrando o comité flaviense, em virtude do que chegou a estar preso, e uma forte intervenção política nos primeiros anos da república em Chaves. 

 

 

 Os membros do “Comité Revolucionário de Chaves” em 1912 (4)

 

Integrou a Comissão Administrativa do Concelho de Chaves logo a seguir à proclamação da República, e fez parte do Batalhão Patriótico para a Defesa da República (5). Participou nos confrontos durante as incursões de Paiva Couceiro em 1911-12 e em particular no 8 de Julho de 1912. Mais tarde integrou a comissão política do Partido Evolucionista do dr.  António Granjo (6), foi vogal da Câmara Municipal e comandante dos Bombeiros Voluntários. Faleceu em finais de 1927.

Exerceu a sua actividade profissional como importador de automóveis americanos e agente da marca belga “Minerva Motors”, era também proprietário da Serralharia Rodrigues, no entroncamento da Madalena, oficinas onde foram executados os gradeamentos e portões do Jardim Público e do coreto, entre outras obras espalhadas pela cidade e mandadas erigir pela edilidade.

Foi um dos mais activos membros da "Liga Flaviense de Instrução e Beneficiência" , a qual, entre outras actividades beneméritas, manteve uma Escola Primária, nocturna e gratuita, sob a direcção do professor João Delgado, integrada na Liga Popular Contra o Analfabetismo e subsidiada em 80$00 pelo Ministério da Instrução Pública (7). Era frequentada por adultos e jovens trabalhadores de ambos os sexos.

 

 

Sobre a obra:

B.N.P. Torre do Tombo

Cota H.G. 15446//6 P.        

TÍTULO : Guia-album de Chaves e seu conselho (sic)

AUTOR(ES): Rodrigues, Manuel António, ca 18- -

PUBLICAÇÃO: Porto : [s.n.], 1915 : -- Tip. Progresso)

DESCR. FÍSICA: 66 p. : il. ; 19x27 cm

Colecção: Fundo Geral Monografias

Estado: Mau estado, acesso restrito sob autorização

 

Notas:

(1) Primeiro número de uma coleção de postais editados em data incerta pela “Sociedade de Defeza e Propaganda de Chaves”, com fotografias da autoria de Alberto Alves. Conhecidos como “série azul”, foram impressos em Paris pela firma “Levy et Neurdain”, num belo tom de azul da prússia. Muito apreciados pelos coleccionadores.

(2) Editado pela casa Gomes & Rei, em data incerta, com cliché de Alberto Alves, impresso em Lyon na “Societé Lumiére”.

(3) Jornal “O Flaviense”, Chaves, 18 de Junho de 1916.

(4) Fotografia de Joshua Benoliel, Arquivo Empresa Pública Jornal O Século-Serviço de Fotografia, DGARQ Torre do Tombo, Lisboa.

(5) Jornal “O Semanário”, Chaves, 11 Outubro de 1910, editorial "A proclamação da República em Chaves".

(6) Jornal “O Flaviense”, Chaves, 4 de Julho de 1915, artigo "8 de Julho", António Granjo.

(7) Decreto-Lei 1065, de 31 Outubro de 1914. 

 

 

Bibliografia:

“A República em Chaves”, Júlio M. Machado, 1998

“A República no Distrito de Vila Real (1873-1933)”, Joaquim Aires, 2010

 

publicado por AAC às 23:04

editado por artchaves em 21/06/2013 às 18:11
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

Chaves teve uma "aula" de Anatomia e Cirurgia!!!

As queixas dos comandos militares e o quase inexistente acesso da população aos serviços médicos fizeram despoletar “a necessidade de criar escolas médicas da arte de curar”, na antiga vila de Chaves. (1)

Existia já um Hospital Militar ou Real, anexo ao Quartel de S. Roque. Este quartel foi construído na altura da guerra da Restauração (1641-1668), contemporâneo dos fortes de S. Francisco, S. Neutel e Revelim da Madalena. Talvez tenha sido acabado em 1674, segundo reza a data gravada no portão de entrada. (2)

 

Em outubro de 1777, passa por Chaves a rainha Mariana Vitória, viúva de D. José, a caminho de Madrid. Na sua comitiva ia Manuel José Leitão, médico da Casa Real, natural de Ribeira de Pena. Vendo o estado deplorável em que se encontrava o hospital real, iniciou uma luta tenaz pela criação, em Chaves, de uma “Aula de Cirurgia”. Ele próprio requer a sua colocação e nomeação como Cirurgião-Mor na Praça de Chaves. Esta sua pretensão não foi atendida.

Manuel José Leitão não desiste e, a 30 de março de 1786, é colocado como “Cirurgião-Mor no Regimento de Cavalaria de Chaves”.(1)

O esforço desenvolvido por este médico levou à criação, em 1789, da “Aula de Anatomia e Cirurgia” em Chaves, funcionando regularmente no Hospital do Bairro da Madalena, com todas as características de uma escola de medicina.


Manuel José Leitão, em 28 de janeiro de 1789, é nomeado Cirurgião-Mor da Praça de Chaves, não sendo desobrigado do serviço militar, acumulando com as funções de professor, explicando “Anatomia e Cirurgia” não só aos “Ajudantes de Cirurgia dos Regimentos da Praça e da Província mas ainda aos praticantes desta arte”. (1)

 

Bibliografia:
(1) http://darcordaoneuronio.blogspot.pt/- Carlos Manuel Vieira Reis - 2006
"Uma Nova Dissecação na Aula de Anatomia e Cirurgia de Chaves" - Carlos Manuel Vieira Reis Revista Aquae Flaviae, n.º 5 - Junho de 1991 - Pg. 104
(2) "Quando havia em Chaves três hospitais" - J. Timóteo Montalvão Machado - Revista Aquae Flaviae, n.º 4 - Dezembro de 1990 - Pg. 105.
"As Aulas de Anatomia e Cirurgia dos Hospitais Militares" - Manuel Gião - 1945

publicado por AAC às 22:41
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Quarta-feira, 20 de Março de 2013

Campo da Fonte, soqueiros.

 

 

 Com o avançar de novas tecnologias há profissões que entram em extinção ou cingem-se um número muito reduzido de artesãos que ainda vão resistindo, como é caso do latoeiro, albardeiro, ferrador, alfaiate...

Este belo postal da autoría do grande fotógrafo flaviense Alberto Alves, mostra-nos um tambem belo registo desta praticamente extinta arte do soqueiro, ou pauzeiro como diz no postal, e pelos visto, concentravam-se no Campo da Fonte, o que poderá não ser coincidência há poucas décadas atrás ainda existir um soqueiro aqui neste mesmo bairro. A concentração de certas profissões em determinado bairro ou rua deu origem a muitos topónimos que atualmente certas artérias exibem, o que não é caso do Campo da Fonte.

publicado por hpserra às 11:20
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Sábado, 16 de Março de 2013

A Obra de Rega na Veiga de Chaves

O mês de Março, em Chaves, é normalmente frio.

Este ano, abusou, iniciando-se com um manto branco de neve que há muito já não víamos.

Querendo apreciar o "fenómeno", sem ter que ir para as terras altas, resolvemos ir até Vila Verde da Raia e, mesmo à saída da nossa cidade, parámos para fazer uma foto e... saiu-nos isto:

 

 

Esta imagem fez-nos recordar "velhos" tempos em que a água, em quási toda a extensão da veiga, circulava, durante o verão, por estas "caleiras", para regar os campos cuja fertilidade era, na época, gabada e propalada!

Para recordar o que foi esta grande obra de irrigação trazemos este apontamento:

 

 

 

 

Hoje, a veiga é irrigada numa maior área com a incorporação do regadio servido pela barragem das Nogueirinhas, as caleiras desapareceram na sua quási totalidade por ter passado a subterrânea a condução da água e, infelizmente, dado não ter sido feito o emparcelamento das propriedades agrícolas não se criou a rentabilidade que se esperava.

Todos os proprietários de terrenos na veiga, na área servida pelo regadio, mesmo aqueles que têm área ocupada por casas ou armazéns, são obrigados a pagar uma taxa (neste momento 100,00€ por hectare), mesmo que a água aí não chegue ou não a utilizem.

Aqui a norma "utilizador-pagador" não se aplica!

publicado por AAC às 16:00
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O Blog Chaves Antiga não acabou

O Blog Chaves Antiga não acabou.

Após uma breve hibernação, está de volta com nova equipa e renovado ímpeto.

Pretendemos enriquecer este espaço com publicações regulares, se possível, quinzenalmente.

Nesse sentido, lançamos um apelo aos nossos leitores para que contribuam com informação: fotografias, textos, ideias, documentos, …

O vosso contributo pode ser dirigido ao endereço de correio electrónico blogchavesantiga@gmail.com

publicado por AAC às 15:59
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Sábado, 26 de Janeiro de 2013

Blog Chaves Antiga com equipa alargada

 

Sei que temos andado um bocadinho ausentes do Chaves Antiga, mas ainda não acabou nem poderia acabar, pois parte da história de Chaves também pode passar por aqui. É, e sempre foi nesse sentido que o Blog Chaves antiga, desde o  seu início, tem pedido a colaboração de todos e, a verdade seja dita, muitos têm colaborado,  mandando as suas imagens antigas de Chaves. Mas também para a feitura do Blog a colaboração é sempre bem vinda, podendo-se assim alargar os conteúdos do blog e enriquecê-lo com novas imagens, documentos e um pouco da história de Chaves.

 

Nesse sentido o blog Chaves Antiga a partir de hoje alarga a sua esquipa de colaboradores que, além de continuar a contar com a equipa inicial, vai passar a ter mais três ou quatro colaboradores. Para já, vão entrar na equipa o Artur Chaves, o António Chaves e o Rui Queirós.

 

Fiquem então atentos, o Chaves Antiga, sem nunca ter partido, está de volta.

 

F.R.



publicado por Fer.Ribeiro às 19:16
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