Costuma-se dizer que a riqueza das terras está nas suas gentes, e são muitos os ilustres, alguns deles com uma atividade tão abrangente ou múltipla que são considerados como homens dos sete ofícios. Avelino Dores Aurélio é um nome que à priori pouco ou nada diz à maioría dos flavienses, porque este ilustre flaviense é conhecido e tratado popular e carinhosamente por "Bio", musico-cantor (um grande timbre de voz), fotógrafo, dirigente desportivo, político (após 25 de Abril), e um fervoroso adepto do Desportivo de Chaves, são os cartões de visita deste grande flaviense que muito deu à comunidade de uma forma totalmente desinteressada e nada cobrou, um bem haja para este grande SENHOR.
Foto gentilmente cedida por Luis Aurélio ("Luis Bio").
Olá amigos transmontanos, em particular flavienses- Desde o dia 24 de Janeiro que estavamos em branco, ou seja, não publicava-mos nada, o que não significa que o nosso acervo fotográfico se está/estava a esgotar, nada disso, as contribuições de muitos flavienses mais as nossas pesquisas (internet, bibliotecas, arquivos, alfarrabistas...) não permitem nem permitirão que tal aconteça, o Blogue ChavesAntiga está vivo e bem vivo, e recomenda-se.
E nada melhor que neste regresso às publicações como falar do nosso velho e muito saudoso "Texas", aqui neste quarteto de imagens a vapor e a diesel. Já passaram vinte e dois (22) anos (1 Janeiro de 1990) desde o fecho desta Linha até Vila Real, seguido depois do desmantelamento que ainda hoje é fortemente criticado por quase todos os transmontanos, em particular aqueles que são naturais dos concelhos por passava a Linha do Corgo. Há um movimento https://www.facebook.com/groups/linha.do.c
Alentejano de nascença, natural de Veiros, Estremoz, e filho bastardo de rei D. João I Mestre de Aviz, D. Afonso I Duque de Bragança fixou residência em Chaves onde viría a falecer em 1461 com 84 anos de idade, os seus restos mortais permaneceram na Igreja N.ª Sra. do Rosário no Forte de S.Francisco até 1942. Nesta época, década de 1940, o Forte de S. Francisco encontrava-se muito degradado em particular esta Igreja que chegou inclusive a equacionar-se a sua demolição, foi esta a razão a que levou a que se transladasse o túmulo para o Convento dos Agostinhos em Vila Viçosa, o Panteão dos Duques de Bragança, isto apesar das várias vozes discordantes em Chaves, considerado um flaviense de adoção.
* A foto de baixo é atual, serve para identificar o local no interior da igreja e comparar com o postal antigo.
De vez em quando, o "ChavesAntiga" vai ao bau à procura de qualquer coisa para publicar, e depara-se com belas e únicas relíquias como esta, no interior do velho e saudoso "Texas", como nós transmontanos carinhosamente o tratava-mos. Aqueles duros e desconfortávies bancos para uma penosa viagem Régua-Chaves que durava mais de quatro (4) horas, era coisa muito pouco agradável, só que todo esse desconforto era compensado (e de que maneira!!) pela invulgar e deslumbrante beleza que era e ainda é a paisagem ao longo de quase todo o seu percurso, passar no meio de vinhas, olivais, pinhais...
Estavamos na segunda metade da década de 1960, as instalações para prática de desporto eram muito precárias, limitavam-se aos ginásios da então Escola Comercial e Industrial (atual Dr. Júlio Martins) e do Liceu Fernão de Magalhães (atual Escola Secundária com o mesmo nome), e depois havia ainda tambem os campos exteriores de ambos estabelecimentos de ensino que eram os mais usados para as práticas de voleibol, andebol e basquetebol, o da Esc. Com. Ind., na lógica de hoje sería impróprio, alcatroado e com bastante gravilha, o que em caso de uma ida ao tapete, vulgo queda, provocava lesões, e algumas vezes de certa gravidade aos praticantes, e havia ainda tambem o exterior, chamemos-lhe assim, do Liceu (foto), que tinha um pavimento melhor (ou menos mau), era acimentado e com alguns degraus de bancadas nos lados poente e sul, o que tornava este local naquela época o mais apetecível para os bem acalorados "derbies" escolares flavienses, Escola versus Liceu. Na foto vemos então equipa de voleibol da Esc. Com. Ind., o equipamento era azul e branco, à Lázio de Roma. Quanto à identificação dos craques, o "ChavesAntiga" deixa isso para os vistantes, porque alguns deles são bem populares no burgo flaviense.
Foto gentilmente cedida por Albano Nascimento.
Esta rara fotografia reporta-se ao final da década de 1940, era então "Garagem Central" em construção, o proprietário era um senhor chamado Pereira da Silva, era uma oficina de recolha e reparação de automóveis. No início dos anos de 1950, a Auto Viação do Tâmega, Lda., compra estas instalações, dado que as que já ocupava, na Rua de Santo António, estavam a tornar-se exíguas perante crescimento da transportadora flaviense que aqui se manteve até à segunda metade da década de 1980, instalando-se na sua atual localização, no Largo da Estação. Esta já quase septuagenária empresa, foi fundada em 1944 por Teodoro de Freitas e Alberto Augusto Antas, sendo o primeiro destes dois (2) sócios o grande cérebro desta transportadora, esteve à frente dos seus destinos até 1976.
Autor da foto: FOTO ALVES
Estas dois (2) belos registos fotográficos estão separados por catorze (14) anos, 1907-1921, a chegada do comboio à Régua, foto 1, em 1907, e a Chaves, foto 2, em 1921. A Linha do Corgo foi feita em várias fases ou troços devido à então desfavorável conjuntura económica e social, a Revolução Republicana (1910) e os anos de muito convulsão que se lhes seguiram até 1926. Esta linha de caminho de ferro foi extrema importância para a época, foi uma grande vitória contra o isolamento, porque, vias de comunicação era coisa que praticamente não existia, limitava-se apenas a penosos caminhos de terra batida ainda maioritariamente percorridos por diligências, automóvel era uma espécie ainda muito rara, o percurso de comboio entre a Régua e Chaves por caminho de ferro demorava "apenas" quatro (4) horas, o que para a época era já um grande progresso. Para terminar repare-se num pormenor na foto 2 em Chaves, ainda não existia o edifício da Estação.
Fonte: Foto 1, www.monumentos.pt
Fonte: Foto 2, FOTO ALVES
Era este o aspeto do Arrabalde há cerca de sete (7) décadas atrás, tendo como referência aqueles três (3) edifícios à esquerda que ainda hoje lá se encontram. A atividade principal da cidade era desenvolvida quase toda por aqui devido à localização do Mercado Municipal que aqui permaneceu até 1950, sendo deslocado para bem próximo daqui, outro pormenor muito curioso é o primitivo Quiosque com a sua forma sextavada.
Apesar de ser um pouco exíguo, este antigo Parque de Campismo de S. Roque era bastante bonito e acolhedor, com imensas árvores de folha caduca, sendo a maioría delas composta plátanos e salgueiros-chorão, nos dias quentes de Verão as suas sombras densas e muito frescas formavam uma autêntica estufa, isto aleado à boa saude que o Tâmega então gozava, inclusive existia aqui mesmo em frente uma prancha flutuante para os campistas, os não campistas usavam-na "clandestinamente". Com passar dos anos, este espaço começou a ficar obsoleto e mesmo degradado, acabando por ser removido e dar lugar a outro espaço verde, passando o Parque de Campismo para a Quinta do Rebentão em Vila Nova da Veiga, freguesia de S. Pedro de Agostém.
Um belo postal do ínício da década de 1970 com a frota do "mestre Redes" em primeiro plano, tería seguramente que haver um mínimo de um metro de água de altura para os barcos poderem circular, isto em pleno Verão. As bárbaras agressões de que o Tâmega foi vítima na década de 1980, em particular as enormes crateras deixadas pela extração de areias feriram quase de morte o rio, nos dias de hoje, esta altura de água junto à Ponte Romana só é possível com a ajuda do espelho de água, fechando uma das comportas logo a seguir às Poldras, era tudo ao natural, até a pesca era, a não desportiva que não dizimava espécies nativas.
Era este o aspeto do Jardim do Tabolado após uma grande transformação de que foi alvo na segunda metade da década de 1980, todas as construções que existiam desde o cruzamento da Rua do Sol até aqui próximo das Termas foram demolidas e o jardim foi alargado, na verdade, as construções anteriormente referidas, exceção feita à antiga Garagem Moderna, a maior parte delas não passavam de velhos barracões muito degradados. Para finalizar, é de louvar o facto de este local estar nos dias de hoje muito mais verde do aqui o vemos, ao contrário do que infelizmente tem acontecido em vários locais da cidade.
Foto de João Araujo da FOTO PRIMAVERA.
Vinte e um (21) anos depois, o encerramento da Linha do Corgo é um tema que ainda mexe com a memória de muitos transmontanos, em particular com os aguiarenses e flavienses, é que alem do encerramento, a sua quase imediata e total remoção da mesma casou ainda mais indignação, isto perante a total passividade dos autarcas que então lideravam as respetivas câmaras de Chaves de Vila Pouca de Aguiar. A ímpar beleza deste trajeto fazía as delícias de imensos fotógrafos nacionais e estrangeiros, só os governantes do poder central e local é não viram.
Origem das fotos: http://pro.corbis.com autor: Tony Arruza.
Este belo e raro postal é um excelente registo de uma manhã de Outono na Azenha do Agapito/Fonte do Leite, aos primeiros raios de sol no meio de nevoeiro ainda espesso (bruma) vê-se uma lavadeira (!) na sua labuta, que era o penoso trabalho de lavar roupa no rio, uma das várias atividades que criava uma relação muito próxima entre o Tâmega e as pessoas, pesca, recreio, banhos... Atualmente, com a intervenção nas margens levada a cabo pela autarquía desde Outeiro Seco a este local, reaproximou os flavienses do rio, mas obviamente que os tempos são outros, não para lavar roupa nem para pesca-sustento mas sim para atividades lúdicas.
Bela e invulgar fotografia da Praça de Camões há cerca de setenta (70) anos atrás, o saudoso olmo/negrilho centenária árvore que foi abatida por volta de 1970, embelezava e refrescava, coisa que nos dias de hoje não se desfruta de tal privilégio, exceção feita aquela árvore em frente à Igreja Matriz. Mais, alem das já existentes havia a preocupação de plantar mais árvores como se pode ver mesmo ao lado do militar, nesta época, separados pela Igreja da Misericórdia, funcionavam por aqui o Hospital e o Edifício da Guarda Principal (Quartel) este último no atual Museu da Região Flaviense.
Este postal reporta-se ao final da década de 1970 ou início de 1980's com quatro (4) aspetos da cidade; no interior dos Balneários Termais, no Rio e na Torre de Menagem. Três (3) décadas separam estas imagens da atualidade, obviamente que as diferenças são muitas, o jardim à volta da Torre de Menagem ainda não existia, este pormenor é digno de realce, diríamos mesmo que é uma exceção à regra, dado que quase tudo que era espaço verde deu lugar a menos verde, árido ou empedrado, neste postal há um exemplo mais que flagrante do que acabamos de dizer, o antigo Parque de Campismo que era uma pequena densa mancha verde, está hoje menos verde, embora não seja dos casos mais merecedor de críticas. E para terminar, aquele pormenor do barco da frota do "Redes" provoca a tal "lágrimazinha" no canto do olho..."cheirinho" a rio, coaxar das rãs...
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