Sábado, 10 de Fevereiro de 2007

As Caldas de Chaves em 1940

Postal editado pela Sociedade de Defesa e Propaganda de Chaves na década de 1920.

 

   Em 1942, Luiz Acciaiuoli, então engenheiro-chefe da Inspecção de Águas, publicou o relatório intitulado Águas de Portugal em 1940. Pelo seu interesse específico, transcreve-se quase na íntegra o relatório relativo às Caldas de Chaves e reproduzem-se, na sua disposição gráfica original mas ampliadas (mau grado a qualidade), as quatro fotografias que acompanham o texto:

   "Foi vistoriada; apesar de ter sido dada a concessão há 41 anos, não tem esta nascente nem balneário nem serviço clínico.

   A água termal anda perdida entre as areias, nas margens do Tâmega, rebentando à superfície, em diferentes pontos. No vasto areal da margem do rio e junto à buvete, têm lugar periòdicamente grandes feiras de gado de que resulta, forçosamente, a impregnação das areias por líquidos infectos. E, é através dessas areias que corre a água mineral para chegar à buvete, que a Câmara Municipal há 7 ou 8 anos construiu e onde é fornecida água gratuitamente ao público."

 

Postal publicado por editor desconhecido na primeira década do século XX.

 

Postal editado pela Casa Geraldes em data desconhecida (provavelmente na década de 1940), com cliché da Foto Alves.

 

   "A buvete foi dotada de uma "artística" bomba e coberta a nascente com uma cúpula de cristal para a preservar de quaisquer "impurezas exteriores".

 

 

   "Uma empregada de bata branca, na buvete, vai fornecendo a água medicinal e aconselhando o doente nos seus tratamentos.

   Em tôrno do terreno da feira, em construções pobríssimas, estão instaladas diversas pensões que tiram a água medicinal das mesmas areias para tratamento dos seus hóspedes.

   Na melhor pensão pagava-se 5$00 por cada banho e 20$00 por dia de hospedagem.

   Isto é, paga-se em Chaves, por cada banho, mais caro do que nas Estâncias classificadas de 2.ª categoria, em banhos de imersão de 1.ª classe..."

 

 

 

   "É verdadeiramente anormal a situação da única água carbonatada sódica quente, que existe no país, semelhante a algumas das mais acreditadas águas da Europa.

   Foi feita a imposição para a apresentação do projecto para a modificação do estado perfeitamente ilegal destas nascentes."

 

 

   A data provável de conclusão da buvete, referida no texto como tendo sido mandada construir pela Câmara Municipal "há 7 ou 8 anos", será 1934, data que ainda hoje se pode observar nos pequenos portões de ferro forjado ilustrados no postal editado pela Casa Geraldes.

   Sublinhe-se o inquestionável carinho e particular cuidado que o engenheiro-chefe dedicava às infra-estruturas e instalações termais e turísticas de Chaves. No relatório dedicado às águas de Alfaião (Bragança), que se inclui no capítulo das águas sem alvará, encontra-se a seguinte anotação "O preço dos banhos neste rudimentar balneário é de 5$00 e a pensão diária 12$00.", sem qualquer comentário adicional. Isto é, parece ser preferível pagar 5$00 por um banho num balneário rudimentar de umas termas sem alvará, do que pagar o mesmo preço por um banho numa pensão de Chaves...

   A título de curiosidade, registem-se também as datas de concessão de alvará às fontes de água mineral do concelho, de acordo com a mesma publicação:

   2 de Março de 1893: Oura (freguesia de Arcossó), Vidago (freguesia de Vidago), Vila Verde (freguesia de Arcossó).

   10 de Janeiro de 1895: Campilho (freguesia de Vidago).

   9 de Dezembro de 1898: Vilarelho da Raia (freguesia de Vilarelho da Raia).

   11 de Outubro de 1899: Caldas de Chaves (freguesia de Santa Maria Maior).

   9 de Setembro de 1904: Vidago 2 (freguesia de Vidago).

   27 de Janeiro de 1907: Fonte Maria (freguesia de Oura).

   25 de Setembro de 1909: Areal (freguesia de Oura).

   13 de Abril de 1912: Salus (Vidago) (freguesia de Oura).

   25 de Março de 1916: Vidago 3 (freguesia de Vidago).

   Termine-se este post homenageando o maior defensor das termas de Chaves durante a segunda metade do século XX: o médico hidrologista Mário Gonçalves Carneiro.

  

publicado por blogdaruanove às 19:24
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4 comentários:
De Tupamaro a 10 de Fevereiro de 2007 às 21:38
Bem, isto é uma Relíquia!
Quanta Riqueza desperdiçada e mal tratada!
Mas ela existe!
E assim, também, se faz borbulhar o Orgulho de se ser Flaviense e Transmontano!
O Fernando já bem merece uma Comenda!
Tupamaro


De Fer.Ribeiro a 10 de Fevereiro de 2007 às 22:49
Obrigado Tupamaro pela parte que me toca, mas o seu a seu dono e, os louros deste post, devem ser dirigidos ao seu autor que é o Blog da Rua Nove, que fez hoje a sua entrada no Chaves Antiga, que a partir de hoje é também feito a três mãos – O Blog do Beto, o Blog Chaves e o Blog da Rua Nove. Mas não há problema, quando vier a comenda, eu reparto com eles. Um abraço


De hpserra a 12 de Fevereiro de 2007 às 11:49
Ai, ai!! Da parte que me toca, não prescindo da minha fracção, venha lá a tal comenda


De J. Pereira a 12 de Fevereiro de 2007 às 15:27
Não vos chegou as castanhas doces?
Bela relíquia da nossa história. Adorei. Parabéns também pela rua 9.


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