Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

Os Herois de Chaves, Julho de 1912.

 

Esta é resposta do "ChavesAntiga" à pergunta deixada pelo nosso amigo Tupamaro no "Blog Chaves". Há alguns anos, alguem* dizia assim: -" Quem se mete com o PS, leva!! "- Nós dizemos, quem se mete com os Alto Tameganos, leva!!  Ai, ai... não fazemos a coisa por menos!!  É evidente que estamos a brincar, porque, como já devem ter reparado, sentido de humor é coisa que não falta por aqui. Mas agora vamos aos Herois de Chaves que vemos na imagem, um " GRUPO DE  CIVIS que tomaram parte nos combates de 7 e 8 de Julho de 1912, onde se vê o denodado republicano Dr. António Granjo" Há quem afirme que os ditos combates, não passaram de pequenas escaramuças, e que foi um acontecimento pouco relevante, mas o que é certo é que até tem direito a nome de uma rua em Lisboa.

 

* Esse alguem é Jorge Coelho, do PS

publicado por hpserra às 17:51
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9 comentários:
De Tupamaro a 16 de Junho de 2007 às 01:15
Tupamaro sente-se Honrado com a resposta.

A capital mostrou respeito e veneração por esses nossos patrícios.

Haverá por aí alguma Avenida, Praça, Rua, Travessa, Beco, Pontão ou Canelha com uma lapidezinha ou nome (mesmo "ad hoc") a lembrar esses Valentes?

Se houver, farei uma Penitência:
-Irei de romagem a Chaves «papar» uns "Pastéis de Chaves", «cumprimentar» o Faustino e matar a sede na «Pipa» das Caldas (e etc. e tal!).

Serão "Padrinhos" os Srs."Nando" Ribeiro e Dinis Ponteira!
Testemunhas: quem calhar!

Tupamaro


De a.delgado a 17 de Junho de 2007 às 02:20
Para já , peço desculpa por transtornos que a minha informação possa trazer...
É que, efectivamente, em Chaves existe a Avenida dos Heróis de Chaves, começada no cruzamento da Avenida do Estádio com a Avenida dos Irmãos Rui e Garcia Lopes e a terminar na Avenida da Trindade.
Em Lisboa temos a Avenida Defensores de Chaves ,
com esse nome desde 1912, após o combate do 8 de Julho.
No Porto criaram a Rua dos Heròis de Chaves, mas,
depois do 28 de Maio , eliminaram a designação.
Terei. em breve oportunidade de fornecer elementos com possível interesse para o Blog.





De blogdaruanove a 17 de Junho de 2007 às 04:08
Na Nazaré ainda existe a Rua dos Heróis de Chaves.
De facto, do ponto de vista estritamente militar, os combates de 1912 não passaram de meras escaramuças.


De Tupamaro a 17 de Junho de 2007 às 19:20

Mas é isto mesmo que se pretende (que nós, Tupamaro, pretendemos)! - esclarecimento, informação.

Estou grato a A. Delgado e ao “Blogdaruanove” pela «ajuda».

Escaramuças, «Torneios», Emboscadas, Batalhas, em todas há sempre Heróis -vencedores ou vencidos, mortos ou sobreviventes.

Conhecemos a Avª Defensores de Chaves, em Lisboa. Aliás, no 2º§ do nosso comentário anterior fazíamos uma referência.
Ficámos a saber de Nazaré e da «nossa terrinha».

A Penitência irá ser cumprida. Os nomeados «Padrinhos» ficam, desde já, notificados (ou tem de ser por telefonema anónimo, tal qual como para o Balbino?) para a «cerimónia».
Além de outras eventuais testemunhas, Tupamaro emite já um «intimação» a “a.delgado” e “blogdaruanove” para ««testemunharem activamente»» na tal Penitência.

Ou seja, uma «emboscada» ao Fer.Ribeiro para nos conduzir aos tais «pastéis» (a ele é que lhe têm calhado!), «molhar a palavra» no Faustino; cumprir os tais “”etc. e tal” antes falados, e benzermo-nos TODOS com a Água das Caldas.
Espero que todos «passem à disponibilidade» (à nossa, claro!) para a tal Penitência.
Podemos marcar já o dia?
….

Ficamos contentes por os nossos valentes serem lembrados ………… embora só poucos …………. E tão pouco!!!

Tupamaro


De Salvador Silva a 17 de Junho de 2007 às 22:33
Não sei o que se entende por "escaramuça pouco relevante" e assim, opto por aqui deixar o pouco que sei:
"O ataque a Chaves custou, de acordo com o próprio Couceiro, entre 16 e 20 mortos talvez o triplo dos feridos (contra 2 mortos e 3 feridos republicanos).Os aristocratas morreram como os outros:Júlio de Ornelas e Vasconcellos e Pedro de Sousa Macedo (Vila Franca), por exemplo.Morreu também o impedido de Couceiro, o lendário sargento Faustino, de quem Couceiro se despediu com um patético abraço, "estendido" sobre o corpo dele, no chão de Chaves."
IN-Um Herói Português-Henrique Paiva Couceiro.
Autor: Vasco Pulido Valente
Espero ter contribuido para se poder avaliar da dimensão das escaramuças e da coragem dos que nelas participaram. Se calha, há razão para que sejam recordados em tantos locais. Na carreira de tiro de Chaves também há (pelo menos havia 40 anos atrás) uma lápide comemorativa do local.
Um abraço amigo
Salvador Silva


De blogdaruanove a 18 de Junho de 2007 às 02:31
Não encontrei neste post, nem nos seus comentários, a citada frase "escaramuça pouco relevante", mas gostaria de reafirmar a minha opinião sobre os combates - do ponto de vista estritamente militar, foram meras escaramuças. Considere-se o modo ridículo como decorreu a captura do monárquico D. João de Almeida (que Pulido Valente não cita) - quando se dirigia, sózinho, para Chaves... Cite-se ainda o que diz Joaquim Leitão no seu volume O Ataque a Chaves (Porto: Edição de Autor, 1916), onde a fonte citada por Pulido Valente se inspirou para o episódio sobre a morte do impedido de Couceiro - "Couceiro foi logo, encontrando o Faustino deitado de costas, com a cára para o céo e extremamente pallido. Ajoelhou á beira do seu dedicado impedido, estendeu o corpo por cima do d'elle, com uma mão de cada lado, de modo a poder falar-lhe bem perto da cara. (...) A physiomomia do valente e leal soldado immobilisou-se, o commandante deu-o por morto. Abraçou-o, ergueu-se, e foi para o seu lugar, deixando-o com dois homens proximo da peça. (pp. 151-153)"
Indubitavelmente, Joaquim Leitão romanceou vários dos relatos e das descrições sobre as incursões monárquicas de 1911 e 1912, mas baseou escrupulosamente os seus livros sobre factos comprovados, pelo menos por um dos lados, e relatórios oficiais. É assim que estas suas afirmações adquirem relevância - "Ocioso nos parece demonstrar neste ponto que quem contava apenas com 360 espingardas e 2 pequenas peças, não se abalançaria a tomar por objectivo uma praça de guerra, - embora de velha dacta [sic], - guarnecida por forças muito superiores em numero, se a tanto o não levassem razões de pêso suficiente.(p. 11)" E mais adiante - "As nossas exiguas munições (110 cartuchos por praça), vão se exgottando, dando origem a uma menor intensidade no nosso fôgo. As duas espingardas-metralhadoras "Madsen", distribuidas ao 6.º grupo, estão impossibilitadas de fazer fôgo. Transportadas na marcha de 7, de Sindim para Soutellinho, a dorso de uma das muares do trem de combate, e que era pouco propria para esse fim, repetidas vezes cahem ao chão, conjunctamente com o resto da carga (munições) e damnificam-se a ponto de não poderem disparar um unico tiro. A peça do Conde de Mangualde, que já tem a sua guarnição muito reduzida, (...) tomba para a direita, ficando de rodado para o ar, com a alça torcida, o que impediu, d'ahi em diante, toda a justeza de pontaria. (p.237)" Isto é, os combates de Chaves não passaram de meras escaramuças, não por falta de coragem ou denodo, que tanto existia nos monárquicos como nos republicanos, mas por falta de equipamente bélico eficiente e suficiente... Convém é não esquecer que a sua classificação em termos militares, seja ela qual fôr, não diminui em nada a importância política e histórica do evento, nem a coragem de todas as pessoas envolvidas.


De Salvador Silva a 18 de Junho de 2007 às 22:41
blogdaruanove, tem toda a razão ao referir que não encontrou a frase "escaramuça pouco relevante", na realidade ela não se encontra.A mesma resultou de uma falha minha, de que só agora dei conta e de que me penitencio, ao rememorar o conteúdo da legenda da foto, em que se diz no último período "...pequenas escaramuças...um acontecimento pouco relevante...". Embora me pareça que, no fundo, a frase ficcionada em nada alterou o contexto ou o pensamnto que se pretendia transmitir, não posso deixar de lhe agradecer a chamada de atenção. Também cuido importante dizer-lhe que agradeço, por esclarecedor, todo o conteúdo do seu comentário e que estou plenamente de acordo quando diz: "...a sua classificação em termos militares, seja ela qual for, não diminui em nada a importância política e histórica do evento, nem a coragem de todas as pessoas envolvidas." Que fique claro que, com o meu comentário, mais não quiz do que realçar a justeza de se manterem em memória os acontecimentos e as pessoas nele envolvidas, de ambos os lados. Creio que todos lutaram pela causa em que acreditavam.


De a.delgado a 18 de Junho de 2007 às 01:52
Mais uma vez, para confirmar as afirmações de que
em 8 de Julho de 1912, em Chaves , não se tratou de simples escaramuças. Há literatura bastante sobre o acontecimento .Posso citar :
# A Defeza de Chaves , no dia 8 de Julho de 1912
(subsídios para a história do Regimento de
Infantaria 19) , pelo Tenente Coronel Ribeiro
de Carvalho. - 83 pag.
# O Ataque a Chaves , por Joaquim Leitão -250pag- # Em Marcha para a Segunda Incursâo ,do mesmo
autor- -203 pag. J.Leitão, embora perten -
cesse às forças de Paiva Couceiro, não che-
gou a participar no ataque.
# Ilustração Portuguesa -1912 14ºVolume

É de grande interesse este volume da Ilustração
pela enorme quantidade de fotografias com que documenta os efeitos do ataque da artilharia, mortos , feridos, os mais diversos participantes,
os prisioneiros e até as sessões dos julgamentos .

Já agora, refiro também que , na primeira das obras ,se encontram relacionados todos os militares que se distinguiram ;
, no que se refere aos civis e sua fundamental acção
para a defeza de Chaves, pode consultar-se
# A República em Chaves , obra estimável do meu
Velho e Querido Amigo , Dr.Júlio Montalvão Macha-
do, que a pag. 90 e 91 cita-os descrevendo a sua
participação .

Nota final - Sempre que me é possível, vou dar um abraço ao Amigo Eduardo , porque dirije um santuário da boa mesa...


De jose_pesfial a 27 de Janeiro de 2012 às 11:40
Sabe onde posso encontrar essa bibliografia?


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