Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Neve na Praça da República

 

Fotografia de finais da década de 1950, princípios da década de 1960.

 

Como o Fernando Ribeiro e o Humberto Serra têm vindo a referir sempre que reproduzem uma imagem desta praça, trata-se de um dos mais belos recantos do centro histórico e um dos que mais transformações tem sofrido ao longo do último século.

 

Há uns anos atrás, nesse mesmo centro histórico, houve uma tendência para picar algumas fachadas, retirar rebocos ou pinturas e expor o granito das estruturas, devolvendo aos edifícios, supostamente, o seu aspecto original.

 

Depois, deixou-se que essa tendência alastrasse a algumas praças. E o resultado foi uma cidade cinzenta, granítica e lúgubre. Recentemente, a cor tem voltado às fachadas do centro histórico, tornando a cidade mais luminosa.

 

Seria este também o momento para que se considerasse a reimplantação estratégica de algumas manchas verdes, fixas, nesses espaços da cidade. Não é absolutamente imprescindível que sejam árvores. Mas talvez também não se justifique que continuem a ser apenas canteirinhos amovíveis ou sazonais.

 

publicado por blogdaruanove às 00:54
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Batem Leve, Levemente...

 

Fotografia da zona termal de Chaves, no final da década de 1950, ou início da década de 1960, uma época em que A Balada da Neve, o poema de Augusto Gil (1873-1929) evocado no título e inserido em Luar de Janeiro (1909), ainda era texto obrigatório nos manuais do ensino oficial:

 

 

   Batem leve, levemente,

   como quem chama por mim.

   Será chuva? Será gente?

   Gente não é, certamente

   e a chuva não bate assim.


   É talvez a ventania:

   mas há pouco, há poucochinho,

   nem uma agulha bulia

   na quieta melancolia

   dos pinheiros do caminho...


   Quem bate, assim, levemente,

   com tão estranha leveza,

   que mal se ouve, mal se sente?

   Não é chuva, nem é gente,

   nem é vento com certeza.


   Fui ver. A neve caía

   do azul cinzento do céu,

   branca e leve, branca e fria...

   Há quanto tempo a não via!

   E que saudades, Deus meu!


   Olho-a através da vidraça.

   Pôs tudo da cor do linho.

   Passa gente e, quando passa,

   os passos imprime e traça

   na brancura do caminho...


   Fico olhando esses sinais

   da pobre gente que avança,

   e noto, por entre os mais,

   os traços miniaturais

   duns pezitos de criança...


   E descalcinhos, doridos...

   a neve deixa inda vê-los,

   primeiro, bem definidos,

   depois, em sulcos compridos,

   porque não podia erguê-los!...


   Que quem já é pecador

   sofra tormentos, enfim!

   Mas as crianças, Senhor,

   porque lhes dais tanta dor?!...

   Porque padecem assim?!...


   E uma infinita tristeza,

   uma funda turbação

   entra em mim, fica em mim presa.

   Cai neve na Natureza

   e cai no meu coração.

 

publicado por blogdaruanove às 01:42
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