Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

O "Guia-álbum de Chaves e seu concelho"

Ao observar este belo postal antigo (1) há um aspecto que salta à vista, a ausência do pelourinho…!

A indagação sobre o seu paradeiro levou-nos às primeiras décadas do século passado, aos tempos da 1ª República, quando foi transportado de um quintal na Madalena para o Largo de Camões e montado em frente da Câmara Municipal.

Fotografias originais desse tempo não existem, apenas se conhecem quatro  imagens que retratam a localização do pelourinho nesta época. Uma delas foi editada em postal ilustrado (2):

 

 

 

 

As outras desconhecemos se chegaram a ser editadas, duas delas encontram-se na obra que apresentamos a seguir:

 

" FACTOS E NOTÍCIAS (3)

Guia de Chaves

Com o louvável intuito de concorrer para os fundos da Liga Flaviense de Instrução e Beneficência e de chamar a atenção dos turistes para as belezas e recursos de Chaves e seus arredores, publicou o sr. Manuel Rodrigues um curioso e elegante guia, que, além da importante dose de informações, se torna recomendável pelo grande numero de dados históricos que fornece ao visitante desta região. Para nós, o simples facto do nosso bom amigo pôr de parte o seu interesse pessoal e dedicar o seu trabalho à obra da Liga, leva-nos a aplaudir sem restrições a sua ideia, se bem que nos pôe em situação de não podermos analisar insuspeitamente o seu livro. O Flaviense acha-se de tal forma integrado e empenhado no futuro dessa nobre instituição, que tudo quanto para bem dela

se fizer merece o seu imediato aplauso. Quer-nos porém parecer que, sendo, como diz o seu autor, sem pretensões literárias e susceptível de futuras edições que o aumentem e tornem mais copioso em informações sobre as industrias locais, (sobretudo no que trata de esboços de industria existentes nas aldeias das vizinhanças de Chaves e que encerram um carácter puramente nosso), sobre a arte quasi primitiva da região, sobre as ruinas existentes que evocam os tempos da época romana, etc., o livro é digno de ser acolhido como uma bela tentativa. Trabalhos desta natureza são difíceis de organizar. O que tem propriamente valor é a iniciativa de quem pela primeira vez os lança a público. O guia álbum é um livro que servirá de baze a uma futura obra em que surjam todas as belezas, riquezas, tradições e usos desta boa terra, até agora quasi ignorada. Felicitamos o sr. Rodrigues pela sua iniciativa de homem de bem e de verdadeiro flaviense, que acima de tudo põe o culto da sua terra." 

 

É este livrinho que hoje vos apresentamos, volvidos que são 97 anos sobre a data da sua publicação. Profusamente ilustrado com imagens, através das suas páginas somos levados numa viagem ao tempo da Chaves de princípios do século passado, constituindo uma monografia de elevado valor informativo sobre aquela época.

 

 

 

 

Sobre o autor:

Manuel António Rodrigues foi um denodado republicano, teve um papel activo no 31 de Janeiro de 1891 (revolta republicana do Porto), integrando o comité flaviense, em virtude do que chegou a estar preso, e uma forte intervenção política nos primeiros anos da república em Chaves. 

 

 

 Os membros do “Comité Revolucionário de Chaves” em 1912 (4)

 

Integrou a Comissão Administrativa do Concelho de Chaves logo a seguir à proclamação da República, e fez parte do Batalhão Patriótico para a Defesa da República (5). Participou nos confrontos durante as incursões de Paiva Couceiro em 1911-12 e em particular no 8 de Julho de 1912. Mais tarde integrou a comissão política do Partido Evolucionista do dr.  António Granjo (6), foi vogal da Câmara Municipal e comandante dos Bombeiros Voluntários. Faleceu em finais de 1927.

Exerceu a sua actividade profissional como importador de automóveis americanos e agente da marca belga “Minerva Motors”, era também proprietário da Serralharia Rodrigues, no entroncamento da Madalena, oficinas onde foram executados os gradeamentos e portões do Jardim Público e do coreto, entre outras obras espalhadas pela cidade e mandadas erigir pela edilidade.

Foi um dos mais activos membros da "Liga Flaviense de Instrução e Beneficiência" , a qual, entre outras actividades beneméritas, manteve uma Escola Primária, nocturna e gratuita, sob a direcção do professor João Delgado, integrada na Liga Popular Contra o Analfabetismo e subsidiada em 80$00 pelo Ministério da Instrução Pública (7). Era frequentada por adultos e jovens trabalhadores de ambos os sexos.

 

 

Sobre a obra:

B.N.P. Torre do Tombo

Cota H.G. 15446//6 P.        

TÍTULO : Guia-album de Chaves e seu conselho (sic)

AUTOR(ES): Rodrigues, Manuel António, ca 18- -

PUBLICAÇÃO: Porto : [s.n.], 1915 : -- Tip. Progresso)

DESCR. FÍSICA: 66 p. : il. ; 19x27 cm

Colecção: Fundo Geral Monografias

Estado: Mau estado, acesso restrito sob autorização

 

Notas:

(1) Primeiro número de uma coleção de postais editados em data incerta pela “Sociedade de Defeza e Propaganda de Chaves”, com fotografias da autoria de Alberto Alves. Conhecidos como “série azul”, foram impressos em Paris pela firma “Levy et Neurdain”, num belo tom de azul da prússia. Muito apreciados pelos coleccionadores.

(2) Editado pela casa Gomes & Rei, em data incerta, com cliché de Alberto Alves, impresso em Lyon na “Societé Lumiére”.

(3) Jornal “O Flaviense”, Chaves, 18 de Junho de 1916.

(4) Fotografia de Joshua Benoliel, Arquivo Empresa Pública Jornal O Século-Serviço de Fotografia, DGARQ Torre do Tombo, Lisboa.

(5) Jornal “O Semanário”, Chaves, 11 Outubro de 1910, editorial "A proclamação da República em Chaves".

(6) Jornal “O Flaviense”, Chaves, 4 de Julho de 1915, artigo "8 de Julho", António Granjo.

(7) Decreto-Lei 1065, de 31 Outubro de 1914. 

 

 

Bibliografia:

“A República em Chaves”, Júlio M. Machado, 1998

“A República no Distrito de Vila Real (1873-1933)”, Joaquim Aires, 2010

 

publicado por AAC às 23:04

editado por artchaves em 21/06/2013 às 18:11
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Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

Praça da República, década de 1920.

 

Um pouco no seguimento do "post" anterior, isto é, ainda a propósito de locais com mais intervenções/alterações, hoje vamos falar da Praça da República que até 1910 teve o nome de Praça D. Carlos I. Esta foto será da segunda ou terceira década do século XX, ainda sem o Pelourinho, que nesta altura se encontrava em frente aos Paços do Concelho, a Torre dos Sinos da Igreja Matriz com um visual que nada tinha a ver com sua traça original, e lá mais atrás o famoso Olmo e ainda o atual Museu da Região Flaviense tambem com o seu tamanho original de um (1) só piso. Para terminar, infelizmente há um denominador comum nestas  intervenções, é a substituição de espaços verdes por empedramentos...... Freiras, Anjo, Praça de Camões e Termas.

 

Foto cedida por João Araujo da FOTOPRIMAVERA.

publicado por hpserra às 15:15
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Neve na Praça da República

 

Fotografia de finais da década de 1950, princípios da década de 1960.

 

Como o Fernando Ribeiro e o Humberto Serra têm vindo a referir sempre que reproduzem uma imagem desta praça, trata-se de um dos mais belos recantos do centro histórico e um dos que mais transformações tem sofrido ao longo do último século.

 

Há uns anos atrás, nesse mesmo centro histórico, houve uma tendência para picar algumas fachadas, retirar rebocos ou pinturas e expor o granito das estruturas, devolvendo aos edifícios, supostamente, o seu aspecto original.

 

Depois, deixou-se que essa tendência alastrasse a algumas praças. E o resultado foi uma cidade cinzenta, granítica e lúgubre. Recentemente, a cor tem voltado às fachadas do centro histórico, tornando a cidade mais luminosa.

 

Seria este também o momento para que se considerasse a reimplantação estratégica de algumas manchas verdes, fixas, nesses espaços da cidade. Não é absolutamente imprescindível que sejam árvores. Mas talvez também não se justifique que continuem a ser apenas canteirinhos amovíveis ou sazonais.

 

publicado por blogdaruanove às 00:54
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