Domingo, 25 de Março de 2007

Aspectos das Termas de Vidago

Vidago - Vista geral. Postal circulado em Agosto de 1935. Edição de Germano Augusto Costa, Filhos. Impresso na Alemanha.

 

A Companhia das Águas de Vidago foi instituída em 1870, após a Câmara de Chaves ter aberto concurso para concessão de alvará de exploração das fontes descobertas em 1863 e  situadas em terrenos entretanto adquiridos pelo município. No entanto, a concessão de exploração termal apenas seria concedida em 2 de Março de 1893. Durante essas duas décadas, a fama terapêutica das águas consolidara-se e Vidago tinha-se estabelecido como estância balnear. O Grande Hotel de Vidago fora inaugurado em 1874, junto à Estrada Real, e o rei D. Luís (1838-1889) hospedar-se-ia no hotel, pela primeira vez, no ano seguinte. Em 1884 também seu pai, o velho rei-consorte D. Fernando (1819-1885), aí se hospedaria, na companhia da sua segunda esposa, Elise Hemsler (Condessa de Edla, 1836-1929).

 

Vidago Palace Hotel - Escada Nobre. Postal emitido por editor desconhecido na década de 1910.

 

Durante o final da monarquia, Vidago conheceu novo desenvolvimento e em 1908 iniciou-se a construção do Vidago Palace Hotel. Pouco depois, o médico António Teixeira de Sousa (1857-1917; presidente do conselho, 1910), que desempenhara já vários cargos como ministro desde o início do século, viria a ser nomeado primeiro-ministro. Anteriormente, Teixeira de Sousa havia sido administrador da Companhia das Águas de Vidago e director termal das Pedras Salgadas, até 1897. O edifício do hotel, cujo projecto inicial parece ter sido do arquitecto Ventura Terra (1866-1919), inaugurou-se em 1910.

 

Vidago Palce Hotel - Restaurante. Postal emitido por editor desconhecido na década de 1910.

 

Ventura Terra, um arquitecto minhoto, foi também o autor de vários edifícios de Lisboa galardoados com o Prémio Valmor (em 1902, 1906, 1909 e 1911), bem como da Maternidade Alfredo da Costa, da Sinagoga e do Teatro Politeama, em Lisboa, e da Igreja de Santa Luzia, em Viana do Castelo. No entanto, o eventual êxito do hotel ressentiu-se da mudança política e de hábitos de lazer que a instituição da República trouxe em Outubro de 1910, embora no fim dessa década as estâncias das Pedras Salgadas e Vidago voltassem a florescer, atingindo um período áureo já na década de 1930. Em 1936 inaugurou-se o green de Vidago, campo de golf que apresentava desenho do consagrado arquitecto paisagista  Philip Mackenzie Ross (1890-1974). O Palace Hotel encontra-se actualmente encerrado para remodelação, através de um conjunto de intervenções, previstas para as Pedras Salgadas e Vidago, assinadas pelo famoso arquitecto Álvaro Siza Vieira (n. 1933). Os projectos podem ser consultados por intermédio de ligações que se encontram no site oficial do hotel, http://www.vidagopalace.com/.

 

Vidago Palace Hotel - Cozinha. Postal emitido por editor desconhecido na década de 1910.

 

De acordo com o relatório Águas de Portugal em 1940, de Luiz Acciaiuoli, as termas de Vidago foram frequentadas por 1.153 aquistas nesse ano e as de Salus por 153. (As Pedras Salgadas foram frequentadas por 1.430. Chaves não dispunha de registos oficiais.) Na altura, o  corpo clínico das termas de Vidago era constituído pelo director clínico, Luiz de Morais Sarmento, pelo médico adjunto, Ismael Gambôa e pelo médico analista João de Morais Sarmento. As termas de Salus tinham como director clínico Maximino Correia.

 

Arquitecto Ventura Terra (1866-1919)

Postal com cercadura de inspiração Arte Nova, circulado para o Uruguay em Outubro de 1905.

Edição de F. A. Martins, Lisboa.

publicado por blogdaruanove às 00:38
link | favorito
Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



.Dezembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. Anuário de Chaves, n.º 3...

. Anuário de Chaves, N.º 2 ...

. Chaves e a Crise de 1383/...

. Chaves e a crise de 1383/...

. Liceu Nacional Fernão de ...

. De “Almanaque de Chaves” ...

. A 2.ª publicação do “Alma...

. O Almanaque de “O Comérci...

. O Almanaque de Chaves, de...

. Tratado de Limites de Lis...

.arquivos

. Dezembro 2019

. Novembro 2018

. Maio 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Maio 2017

. Abril 2016

. Janeiro 2016

. Abril 2015

. Fevereiro 2015

. Outubro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Outubro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Setembro 2012

. Maio 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

.tags

. todas as tags

.Links

.Crative Commons

Creative Commons License
Este Blogue e o seu conteúdo estão licenciados sob uma Licença Creative Commons.

.Olhares on-line

online

.pesquisar

 
blogs SAPO

.subscrever feeds