Quarta-feira, 31 de Março de 2021

As Invasões Francesas

Chaves, praça-forte, sempre desempenhou um papel importante na defesa do território nacional, dada a sua localização geográfica e estratégica.

Relembrando os 212 anos sobre a segunda Invasão napoleônica, partilhamos convosco uma breve cronologia dos acontecimentos havidos em 1808 e 1809.

Parte 1

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Alto de Santa Bárbara, Ventuzelos (fotografia de Cyndie M.)

1808

6 junho – Sufocada a Revolta no Porto contra os franceses;

6/7/8/9 junho – Plano da Revolta

  • “A manha 6 do corrente mez de Junho, pelas onze horas da noite, sahiremos à rua com hum concerto musico, e eu como chefe da revolução levantarei a voz de viva o Principe Regente, de morte a Napoleão e seus sequazes …”
  • 7/8/9 junho – “… repetiremos a mesma scena” e “se o negocio tiver sucesso no Povo, com elle organizaremos hum governo…”
  • 12 junho – “…faremos cavalgadas…”
  • 13 junho – “…nós conduziremos o Collegio de Sta Maria Maior …”
  • Foi, também, planificada a segurança das defesas dos familiares, dinheiros e papeis. “Ficarão emassarados e encaixotados todos os papeis, livros e dinheiro …”; “As famílias prevenidas…” e “…caso houvesse problemas tudo isto iria para Verin”

Nota: Na praça de Monterrei (Verin) também houve movimentações anti-napoleónicas, em maio, o que animou as gentes de Chaves (Rogério Borralheiro)

10 junho – Inicia-se a revolta contra os franceses

  • “Os flavienses de 1808, pelo seu patriotismo e civismo, pela sua heroicidade e valentia… escreveram umas letras eternas e as mais belas da história de Chaves” (Francisco de Barros)

Nota: A praça de Chaves é pioneira tanto no processo da Aclamação como num plano de defesa e segurança não só a nível local como provincial, propondo, inclusivé, a mudança do quartel general de Bragança para Vila Real, uma ligação efetiva ao Porto e à província minhota (Rogério Borralheiro)

1809

invasões francesas

13/16 fevereiro – Soult, com um exército de 23000 homens, tenta atravessar o rio Minho, por Cerveira e Caminha; não o conseguiu

4 março – Soult sobe o rio Minho e passa em Ourense,entrando em Allariz e Ginzo

5 março – O quartel general francês instala-se em Vila del Rei

6 março – Ocupação de Monterrei pelos Dragões de Hussaye e de Ginzo pela divisão de Merle; o general Franceschy avança pela serra do Larouco em direção a Verin, onde encontra as tropas espanholas de La Romana que “resultou serem derrotadas e postas em retirada”

7 março – O convento de Monterrei é transformado em hospital

8 março – O brigadeiro Silveira vai reconhecer, no terreno, as forças inimigas

8/9 março – Os franceses fazem “um reconhecimento offensivo na margem esquerda do Tâmega”, indo até “um pouca abaixo de Tamaguellos”, cercando o Tenente Coronel Pizarro; este consegue romper o cerco e dirigir-se para Vilarelho

9 março – O tenente coronel Francisco Pizarro, de Infantaria 12, na linha Vilarelho/Vilaça/Atalaia, ainda fez frente a Soult, mas foi obrigado a retirar, “depois d’um combate que durou desde o meio dia até à noite”

9 março – Pizarro instala-se em Vilarelho da Raia e Portela do Aivado

9 março – Os franceses instalam-se em São Ciprião, em frente a Vilarelho

9 março (20 horas) – Pizarro recebe ordem de retirada, do brigadeiro Silveira

10 março – O brigadeiro Francisco Silveira, de manhã, tentou convencer, numa reunião, os revoltosos (não queriam que o brigadeiro abandonasse a praça e os deixasse), mas nada os demoveu; do lado da população ficou o tenente coronel que não abandonou a praça

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10 março – O brigadeiro Silveira sai de Chaves e instala-se em Santa Bárbara, S Pedro de Agostém, deixando postos de vigilância em Vilarelho, Outeiro Jusão e S. Pedro de Agostém

10 março– Brigadeiro Silveira, volta à praça e, convoca “um conselho de officiaes superiores”, tendo considerado a praça indefensável

10 março – O capitão de Engenheiros José Maria, “conseguiu amotinar as tropas e o povo”, convencendo-os que Silveira não tinha razão e que a praça de Chaves era defensável

10 março – Era governador da praça o coronel João Silveira Magalhães, tendo sido substituído interinamente pelo tenente coronel Pizarro

10 março – Soult envia emissário intimando que a praça lhe seja entregue, propondo que o brigadeiro Silveira assuma a governação da província; Silveira responde dizendo que quanto à praça não lhe competia responder por ela e quanto à proposta “não podia ouvir taes proposições quem tinha a honra de commandar portuguezes”

10/11 março (noite) – O exército francês acampa em Bustelo

11 março (manhã) – Soult envia uma intimidação para que se rendessem

11 março (manhã) – As forças francesas cercam a praça, sendo recebidas a tiro

11 março – Pizarro manda informar Silveira da intimidação francesa; Silveira responde que faça como entender visto que “a seu arbítrio tomara a defesa da praça”

 

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Tenente Coronel Francisco Homem de Magalhães Quevedo Pizarro

 

11 março (tarde) – Silveira mandou dizer aos oficiais que abandonassem, nessa noite, a praça e que os protegeria na retirada. Ninguém abandonou a praça

11 março (noite) – Pizarro, vendo-se sem apoio de Silveira, rende-se

(Continua)

Bibliografia:

- “A Região Flaviense”, Augusto Carvalho, 22 e 29 janeiro e 5 fevereiro, 1925
- “Illustração Trasmontana”, 1909
- “Chaves Antiga“, Ribeiro de Carvalho, 1929
- “A Invasão de Soult e A Reconquista de Chaves aos Franceses”, Tenente-coronel Abílio Pires Lousada, in “Revista Militar”
- “As populações a norte do Douro e os franceses em 1808 e 1809”, Brigadeiro Carlos Azeredo, 1984
- Revista Aquae Flaviae: “As Guerras Peninsulares” I e II N.ºs 38 e 39, 2009
­- “Crónica da Vila Velha de Chaves”, Júlio Montalvão Machado, 3.ª edição, 2006
- “Notas Históricas Acerca da Passagem dos Franceses por Barroso em 1809”, Major Fernando Braga Barreiros, cadernos culturais 16, edição da Câmara Municipal de Montalegre, 1993

publicado por António Alves Chaves às 22:04
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